O Casarão e a novela Velho Chico

Alagoas além de destino turístico é destino cinematográfico. Várias novelas, séries e filmes já foram filmados aqui no Estado e uma das produções mais recentes e marcantes foi a da telenovela Velho Chico. Esta foi produzida pela Rede Globo e exibida entre 14 de março a 30 de setembro de 2016, com 167 capítulos, tendo sido criada por Benedito Ruy Barbosa e dirigida por Luiz Fernando Carvalho. A trama se passa na década de 60 e conta a história de duas famílias rivais atravessando gerações e narra o amor pelo Rio São Francisco que se revela no sentimento dos personagens Santo e Maria Tereza.

Antigo Casarão colonial usado para ser a casa do protagonista Santo. Foto: Roberta Medeiros.

A telenovela foi ambientada na cidade fictícia de Grotas, Bahia e possuiu diversas locações no Nordeste brasileiro. As cenas iniciais foram gravadas em Baraúna no Rio Grande do Norte, São José da tapera e Olho d’água do Casado em Alagoas e Canindé de São Francisco em Sergipe. As tomadas aéreas que representam a cidade fictícia são de outra cidade alagoana: Piranhas. No Estado onde se passa a trama, o Casarão a beira do Rio do personagem de Antônio Fagundes fica na Ilha de Cajaíba em São Francisco do Conde, além de terem sido gravadas cenas na cidade de Cachoeira e Raso da Catarina. No total, foram gravadas cerca de 562 cenas no Nordeste! 

As gravações começaram em janeiro de 2016 e duraram cerca de dois meses. Saíram dez caminhões do Rio de Janeiro rumo a Alagoas, Rio Grande do Norte e Bahia. Foram três toneladas de figurino divididas em três caminhões e outra parte despachada por avião. Entre os itens estavam vestuário, acessórios, máquina de costura e equipamento para tingir tecido. 

A produção foi muito primorosa com a escolha das locações, cenários e cenografia. Foram utilizados objetos e vestimentas reais da época da novela que foram doadas ou vendidas pelos moradores da região, e muitas passaram por processos de descoloração, tingimento e envelhecimento natural. Ainda hoje muitos moradores contam sobre as peças que doaram e os momentos em que participaram tanto da produção como da figuração da novela, alguns até mesmo alugaram suas casas para as equipes. 

Um dos principais cenários foi o da casa do protagonista Santo que foi filmada no Casarão do povoado Caboclo, este fica numa área de assentamento rural e pertencia originalmente ao Coronel José Rodrigues de Água Branca, que dizem os locais foi o suspeito principal da morte de Delmiro Gouveia. Após a morte do coronel o Casarão ficou conhecido como Luz de Chalé até ser abandonado e virar parte de um assentamento rural. 

Casarão usado na novela. Foto: Virna da Hora.
Foto panoramica do Casarão colonial. Foto: Virna da Hora.

Atualmente, um grupo do MST é quem mantém a propriedade e o seu acesso é através do contato com a prefeitura. Nós fomos com a Graça, da Secretaria de Turismo de Olho d’Água que gentilmente nos levou para conhecer a propriedade e falou que há planos para transformá-lo em equipamento turístico. Inclusive ela nos contou que ajudou muito a produção a costurar peças para a novela! Outra curiosidade é que a cena na qual o personagem de Rodrigo Lombardi vê seu depósito de algodão pegando fogo foi real, porém após tal, sua estrutura foi restaurada, assim como os demais cômodos. A restauração desse cenário teve início em 2015, e teve até a plantação das palmas forrageiras ao redor da propriedade para compor melhor o visual. 

Detalhes do interior. Foto: Virna da Hora.
Detalhes do interior. Foto: Virna da Hora.
Detalhes do interior. Foto: Virna da Hora.
Detalhes do interior. Foto: Virna da Hora.
Detalhes do interior. Foto: Virna da Hora.
Detalhes do interior. Foto: Virna da Hora.

Foram cerca de 150 profissionais e muita mão de obra local realizando as filmagens. A produção estimulou a economia local não só através do turismo, mas de tudo que envolvia a produção como alimentação, costura de peças e inclusive da parte artística, já que cerca de 70% do elenco foi formado por atores da região. 

Produção da novela preparando equipamentos para gravação. Foto: Jailton Silva.
Produção da novela preparando equipamentos para gravação. Foto: Jailton Silva.

Além disso, a novela mostrou questões sociais importantes relacionadas ao Rio e ao meio ambiente, agricultura e sustentabilidade, bem como coronelismo e política. O alerta sobre a transposição e o fim da maioria dos afluentes do Rio São Francisco foi constante na trama, aparecendo em boa parte das tomadas e carinhosamente chamado de Velho Chico. Na trama, os autores levantaram muitos debates sobre a presença das hidrelétricas na região, os dilemas relacionados a transposição do Rio e uso excessivo de agrotóxicos nas plantações a margem das águas. 

Infelizmente próximo ao final das gravações o ator Domingos Montagner, que interpretava o protagonista Santo, morreu após se afogar no Rio São Francisco, na região de Canindé, em Sergipe. Ele havia ido nadar com Camila Pitanga quando acabou sendo arrastado por uma forte correnteza e foi encontrado 4h depois sem vida. Apesar da morte repentina do ator, a direção decidiu que iria manter a história do personagem até o fim, sem substituição, morte ou viagem. A solução encontrada foi filmar as cenas a partir da perspectiva em primeira pessoa do personagem Santo, sem falas, ficando assim uma singela homenagem ao ator. 

Protagonistas filmando uma das últimas cenas. Foto: Renan Castelo Branco.

O Casarão tem uma estrutura bastante conservada e nos transporta para os tempos do período colonial com sua arquitetura e paisagem icônica. A região é linda e você pode conciliar a visita a este local antes de iniciar um passeio de barco pelo Rio e Cânions de Olho d’água do Casado, esses locais são muito próximos. 

Dicas:

  • Recomendável para todas as idades
  • Acessível para deficientes ou pessoas com problemas de locomoção 
  • Fácil acesso

Informações:
Endereço: Povoado Caboclo, Olho d’água do Casado – AL. 

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